Polichinelo censurado: todo mundo sabe quem está forçando a barra, mas ninguém ousa dizer os nomes ou dar uma explicação

Flagrante e permanente desobediência à Lei 9.612/98, da Radiodifusão Comunitária, faz o Ministério das Comunicações e a Anatel carregarem “um segredo na alma e um mistério na vida”, que dizem respeito a um contínuo ritual da radiodifusão comunitária.

A pergunta é possível: Quem se importa? Milhares se importam, pois a questão é grave e radiodifusão comunitária não é só lazer. Irradia informações tão importantes, ou mais, para comunidades em todo país, quanto o pouco dinheiro e as poucas soluções que lhes chegam.

Eis o problema. A lei determina um único e exclusivo canal (frequência 87.5 FM) para rádios comunitárias em todo país; e que, quando houver impossibilidade técnica para uma rádio usar esse canal, será designado, pelo governo, um canal alternativo para essa rádio.

Já passados 12 anos de determinação legal, nunca se conheceu um canal alternativo, apesar de esforços sem descanso para consegui-lo, mobilizando-se lideranças sociais e políticas, outros ministros e até o então presidente Luís Inácio Lula da Silva, diante do problemão.

Precisa ter cuidado

Chegou-se a comentar que o presidente não tinha poder sobre o Ministério, o qual não teria  poder sobre a Anatel, a qual não tem obediência à Lei. E que Ministério e Anatel, no caso,

seguiriam a orientação de um poder maior, que não se sabe ao certo quem ou qual é.

Pessoas mais informadas garantem: “Sem ilusões. O canal alternativo nunca sairá”. Porém os danos desse obstáculo são enormes. Em Mauá, SP, matou duas rádios. São Paulo e Municípios vizinhos tiveram 9 rádios sacrificadas, que ganharam o edital mas não levaram.

O mesmo dano ocorre nas 17 regiões metropolitanas do Brasil: fala-se em 500 casos. Por outro lado, se as comunitárias têm de ficar a quatro km uma da outra, e se interferem umas nas outras, um canal alternativo entre duas rádios resolveria o problema da interferência.

Dessa maneira o número de comunitárias poderia até duplicar nas metrópoles, salvando-se o trabalho e os poucos recursos de inumeráveis grupos que durante até 10 anos tentaram uma comunitária para integrar a sociedade, emancipá-la e salvar a pouca civilidade.

O segredo é respeitado e o mistério é tão obscuro que o imaginário popular já falou: “Deixe. Virá a hora da maldição das comunitárias”. É o mito que castiga, às vezes de modo desastroso, quem contraria a comunicação comunitária, objeto de desejo da multidão.

 

Anúncios

Tags:, , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: